Análise dos níveis de citocinas no líquido ascítico derivado de tumores ovarianos para identificação de potenciais biomarcadores diagnósticos e prognósticos da doença
DOI:
https://doi.org/10.61229/mpj.v2i2.59Resumen
Introdução: O câncer de ovário é o tumor ginecológico mais letal, caracterizado por crescimento rápido e disseminação metastática no peritônio. O líquido ascítico, acumulado devido à progressão tumoral, contém células, componentes imunológicos e mediadores bioquímicos, como citocinas, que modulam o microambiente tumoral favorecendo a progressão da doença. As citocinas desempenham papeis cruciais em processos como inflamação, angiogênese e remodelação tecidual, facilitando a proliferação celular, invasão e resistência ao tratamento. Analisar o perfil dessas citocinas no líquido ascítico pode fornecer informações valiosas sobre a agressividade e a resistência terapêutica em pacientes com câncer de ovário. Objetivo: Avaliar os níveis de citocinas no líquido ascítico de pacientes com tumores ovarianos benignos e malignos, investigando seu perfil e sua associação com as características da doença. Metodologia: Os níveis de citocinas no líquido ascítico de pacientes com tumores ovarianos foram quantificados utilizando a técnica Luminex. As amostras foram agrupadas de acordo com o estágio clínico dos tumores, sendo divididas em três grupos: 4 amostras de pacientes com tumores benignos, 4 com tumores malignos localizados (estágios I e II) e 11 com tumores avançados (estágios III e IV). A análise estatística foi feita utilizando o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a distribuição dos dados e o teste de Mann-Whitney para realizar comparações entre grupos. Resultados: Identificou -se níveis elevados de IL-10 e reduzidos de IL-18 em pacientes com tumores avançados quando comparados aos pacientes com tumores benignos ou localizados. Discussão: A IL-10 exerce um papel crucial na criação de um ambiente favorável ao crescimento tumoral em câncer de ovário avançado. Concentrações elevadas dessa citocina no líquido ascítico correlacionam-se com pior prognóstico, redução da resposta imune antitumoral e aumento da migração celular. Produzida por células supressoras mieloides associadas ao tumor, a IL-10 inibe a ativação de células dendríticas e T, intensifica a imunossupressão ao interagir com PD-1 e promove o escape imunológico e a metástase. Em contraste, os níveis reduzidos de IL-18 indicam uma modulação imunológica distinta. Apesar de ser pró-inflamatória e imunoativador, sua atividade antitumoral é comprometida em estágios avançados devido à produção predominante de sua forma inativa (pro-IL-18) e à ação da proteína de ligação à IL-18 (IL-18BP), que limita a produção de IFN-γ pelas células NK. Isso favorece inflamação crônica, crescimento tumoral e metástase. Esses resultados refletem a disfunção do microambiente tumoral em estágios avançados, contribuindo para a progressão do câncer. Conclusão: Nossos achados reforçam a importância das citocinas no microambiente tumoral do câncer de ovário. A análise do perfil dessas moléculas contribui para a compreensão dos mecanismos envolvidos na agressividade tumoral, auxiliando na investigação de novas estratégias diagnósticas e terapêuticas que possam contribuir para o manejo clínico da doença.
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