RNAS LONGO NÃO CODIFICANTES ASSOCIADOS À PROGRESSÃO E À RESPOSTA AO TRATAMENTO NO CÂNCER DO COLO UTERINO
DOI:
https://doi.org/10.61229/mpj.v2i2.62Palavras-chave:
Expressão gênica, Biomarcadores, RNA não codificante, Câncer de colo uterino, PrognósticoResumo
Introdução: O câncer de colo uterino (CCU) é um dos tipos de câncer mais comuns nas mulheres e está intimamente associado à infeção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV). A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem como objetivo erradicar o CCU como um problema de saúde pública até 2100. No entanto, desafios como as limitações da vacinação e a disseminação de desinformação impedem a adoção da vacina, apesar da sua eficácia comprovada (1). O prognóstico do CCU depende do estádio da doença e torna-se mais desfavorável nos estádios avançados. Portanto, a procura de biomarcadores eficazes para o diagnóstico e monitorização é essencial para melhorar a deteção precoce e o seguimento do tratamento. Objetivos: Este estudo teve como objetivo explorar o papel dos long non-coding RNAs (lncRNAs) no CCU, focando-se na identificação e caraterização de lncRNAs relevantes, na compreensão dos seus mecanismos reguladores e interações moleculares, e na análise dos seus padrões de expressão em doentes com diferentes respostas à quimiorradioterapia. Métodos: Foi realizado um estudo observacional retrospetivo, analisando amostras de RNA de 31 pacientes tratados no Instituto Mário Penna (2017-2019) (2). A expressão dos lncRNAs foi analisada por RNA-seq, e as interações moleculares foram investigadas utilizando ferramentas de bioinformática como AnnoLnc2 e ClusterProfiler. Foram realizadas análises de árvore de decisão e curvas de sobrevivência de Kaplan-Meier para avaliar a associação entre lncRNAs e desfechos clínicos. Resultados: Entre os 417 lncRNAs diferencialmente expressos identificados, o ENSG00000267838 se destacou. Sua elevada expressão correlacionou-se com a resistência ao tratamento e um pior prognóstico, enquanto sua baixa expressão indicou uma melhor resposta terapêutica. A análise de Kaplan-Meier mostrou que a expressão elevada desse lncRNA estava associada a uma sobrevivência livre de progressão mais curta. O modelo de árvore de decisão demonstrou uma exatidão de mais de 87% na distinção entre pacientes respondedores e não respondedores (3). Conclusão: O lncRNA ENSG00000267838 foi identificado como um biomarcador associado à não resposta à quimiorradioterapia e a uma menor sobrevivência livre de progressão em doentes com CCU. Especificamente, sua regulação positiva foi associada à resistência ao tratamento, enquanto sua regulação negativa esteve relacionada a uma resposta favorável à quimiorradioterapia (3).
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Referências
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